Mas, e o Inferno? Esta realidade seria contrária ao conceito de um Deus bom e perfeito?
A justiça de Deus consiste em ministrar a todo homem os subsídios necessários para carregar seus sofrimentos com grandeza de alma, de modo que adquira, inclusive, méritos. Os sofrimentos são providenciais e ajudam no crescimento interior. Não é necessária a reencarnação, onde o homem "paga" a uma lei do Karma, cega e não inteligente, exatamente como as leis físicas. O que o homem faz, terá inevitavelmente uma conseqüência, sem a menor possibilidade de perdão;no caso da lei reencarnacionista. Logo, o conceito de reencarnação anula a presença de um Deus bom e perfeito. Toda pessoa sofredora nesta vida está pagando graves pecados de uma encarnação anterior... ?!? Um indivíduo sadio e rico estaria colhendo os frutos positivos das virtudes praticadas em uma vida anterior.
Jesus ensinou que riqueza material atrapalha o crescimento interior e pode prejudicar a salvação.
Que lei é esta?
Analisando atentamente, vemos que a doutrina reencarnacionista não está ligada a bondade divina, mas a uma espécie de vingança divina.
Agora, retornemos a questão principal: o Inferno exclui a bondade de Deus?
Não. O que acontece é que as pessoas tem uma idéia "errônea" do que seja o Inferno. Inferno não é um lugar onde Deus "aprisiona" os maus. Jesus deu claramente a entender que, após a morte, duas são as formas de vida possíveis para o homem: a vida eterna ou a morte eterna (Mt 13,24-30; Mt 13,37-40; Lc 14,16-24; Mt 25,1-12; Lc 16,19-31).
O Inferno não tem a ver com imagens de fogo, nem é algo CRIADO por Deus. Trata-se da frustração total ou a separação de Deus resultante da LIVRE OPÇÃO da criatura na terra.
Todo ser humano foi criado naturalmente para o bem. Inclusive para o Bem Eterno, o próprio Deus. Contudo, Deus nos ama de forma plena e perfeita, de forma que não vicia nossa vontade. Pelo contrário, cultiva-a de forma que digamos um SIM PLENO a Deus ou um NÃO DEFINITIVO a Deus. Se na hora da morte, o defunto for encontrado por Deus nessa atitude de REPULSA CONSCIENTE E VOLUNTÁRIA, terá o definitivo distanciamento de Deus. Deus não o forçará. A este estado de distanciamento se chama INFERNO.
A própria criatura se condena.
O Inferno é definitivo porque a alma humana é, por si mesma, imortal. O Inferno só terminaria se o Senhor destruísse a criatura (o que não condiz com a Sabedoria Divina; Deus não destrói o que Ele faz). Se o Senhor forçasse a vontade da criatura, o Inferno poderia ser temporário; contudo o Pai deu liberdade ao homem, não lha retira.
Se o Senhor cessasse de amar a criatura e deixasse de ser para ela o Bem Supremo, o pecador não experimentaria a ausência de Deus e, logo, não sofreria Inferno. Entretanto, Deus novamente seria incoerente, porque Ele é incapaz de se contradizer; Ele não pode dizer NÃO após ter dito SIM.
O amor de Deus é irreversível.
Este estado, por incrível que pareça, resulta exatamente do fato de que Deus ama perfeitamente a criatura. Logo, o inferno não é uma injustiça, mas uma opção livre do pecador. Deus não pode se contradizer nem retira-lhe o seu amor.
11. Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos.
12. Se soubermos perseverar, com ele reinaremos.
13. Se, porém, o renegarmos, ele nos renegará. Se formos infiéis... ele continua fiel, e não pode desdizer-se. (II Tm 2,11-13)
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Fonte de pesquisa: Reencarnação - Prós e Contras - Pe. Estêvão Bettencourt.